Na
sexta-feira, dia 25 de outubro, os primeiros anos do ensino médio do Colégio
Dom Barreto de Campinas foram a São Paulo para assistir à peça de teatro “O Auto da Barca do Inferno”.
“O Auto da Barca do Inferno” costuma
fazer parte da lista de leitura obrigatória da Unicamp e Fuvest, raramente
sendo substituído (o que é o caso nos vestibulares de 2013 a 2015), então ter
uma oportunidade de vê-lo sendo encenado é muito bom.
Na obra, personagens que representam grupos da sociedade do início do século XVI, após morrerem, vão a um lugar com duas barcas. Uma leva ao Céu, e outra ao Inferno. Quase todos os personagens fazem o mesmo percurso: conversam com o Diabo, rejeitam a proposta de entrarem na Barca do Inferno, se dirigem à Barca do Céu, são barrados pelo Anjo e forçados a ir para o Inferno.
Os personagens julgados são: Fidalgo, Onzeneiro (Agiota), Joane, o Parvo (Bobo), Sapateiro, Frade, Judeu, Corregedor (juíz), Procurador, Enforcado e Cavaleiros Cruzados.
Os
responsáveis pela apresentação da peça são os integrantes do Grupo Ria, que
também encenam “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e “O Cortiço”, entre
outros títulos da lista de leitura obrigatória.
Um dos
pontos interessantes do espetáculo é o fato dos atores, em vários momentos da
peça, interagirem com a plateia, levando pessoas ao palco ou dando apelidos
para efeito de humor.
Outro
aspecto importante é a menção a eventos atuais, mesmo que a história se passe
no século XVI (uma menção a uma música famosa na internet, ou ao guitarrista da banda Calypso, por exemplo). O
objetivo disso é mostrar que o texto é atemporal, e se encaixa (com algumas
mudanças) nos dias de hoje. Um exemplo é a cena do Corregedor, que vai ao Inferno por corrupção, algo muito comum, principalmente no Brasil.
No entanto,
nem tudo é perfeito. As brincadeiras que os atores fazem durante a encenação podem ter um efeito negativo na pessoa escolhida, pois várias envolvem apelidos, o que pode ser relacionado a bullying.
E a peça nem sempre foi fiel ao texto original. Enquanto na versão oficial o Fidalgo vai ao Inferno com seu criado, na peça o último é solto e participa em uma cena de diálogo com outro personagem. Na peça atual, o Judeu não entra em nenhuma barca, enquanto na versão antiga é incerto o seu destino, mas uma fala do Diabo dá a entender que ele vai ao Inferno a reboque.
Felipe
Caires, Pedro Vaz, Rodolfo Kunitake,
Victor
Ferrari, Vinícius Xavier
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